Adolescência: como lidar com essa fase?

– Uma orientação aos pais
A adolescência é um período de transição e descobertas. É comum chamarmos este período de “aborrescência” e procurarmos outros adjetivos que deem conta da nossa inabilidade em lidar com a fase. Até pouco tempo, este ser adolescente era uma criança, cujas únicas preocupações eram brincar e tirar boas notas na escola, notas que serviam de “troféus” para seus pais e prestígio entre professores e colegas de classe.
Hoje, não são crianças, não são adultos, mas são cobrados a fazerem escolhas e se responsabilizarem por elas. Há muito a elaborar: corpo em transformação, escolhas a serem feitas, ressignificar, mudanças…

– Conflito com os pais
Se para o adolescente o processo não se passa despercebido, para os pais costuma gerar dor de cabeça. A grande tarefa da adolescência está relacionada ao processo de desligamento da autoridade dos pais implicando em uma tensão entre as diferentes gerações. Na infância a criança acreditava que os pais poderiam salvá-la de todos os perigos do mundo, ao crescerem vão se deparando com a realidade e compreendendo os pais como seres tão falhos e faltantes quanto eles mesmos.
O processo costuma ser desafiador tanto para os adolescentes como para os pais, pois envolve o desencantamento da imagem destes por parte do filho como forma de minimizar a sensação de perda das ilusões infantis. Por conseguinte, há um inevitável afastamento das figuras parentais, e o adolescente se depara com isso de um modo em que não há retorno.

– A angústia adolescente
O jovem começa a vislumbrar o mundo exterior e descobre que o pai não é o mais rico, o mais poderoso e o mais sábio dos seres, causando uma insatisfação que leva esse jovem a criticá-lo e a pagar o preço por frustrá-lo, gerando um desligamento das figuras parentais.
Desligamento que é um não todo. Isso acontece para que o adolescente possa se lançar ao mundo exterior e com isto buscar sua independência e lugar como sujeito no mundo.
O sujeito adolescente experiencia um sentimento de desamparo e frustração e essa perda é estruturante para o mesmo. É nesse vazio que ele pode vivenciar suas angústias e buscar novas identificações, criando narrativas que possam preencher essa falta simbólica desses pais que antes eram idealizados. Ele busca elaborar as frustrações de suas próprias fantasias.

– Encontro com a sexualidade
As preocupações em amar e ser amado e as transformações em seu corpo tomam seus pensamentos, isso pode acabar trazendo angústias que podem aparecer em sentimentos de menos valia, baixa autoestima ou em supervalorização perante os outros. Todos eles tentando dar conta desse encontro que será permeado por desencaixes.

– O papel das amizades e dos grupos
O abandono da atitude infantil rumo ao ingresso no mundo adulto envolve o anseio de independência. Surge para o jovem a necessidade de ser aceito em determinado grupo social e a preocupação de assumir um estilo que agrade não só a si próprio, mas principalmente aos outros e seus pares. O pai já não é tão importante e a necessidade de se relacionar com o mundo externo só aumenta. As amizades se fazem imprescindíveis.
Elas trazem segurança e maior inserção no meio social. A participação em grupos e sentir-se aceito por eles possibilita a este jovem construção de sua identidade e conformidade com sua autoimagem. Também é o momento da reavaliação das normas sociais, experimentação das regras, um período de intenso idealismo e de descoberta de valores abstratos como liberdade, privacidade, democracia, respeito, direitos, deveres, etc. Valores tão importantes para o progresso da cultura e da sociedade.

– O papel dos pais
Os pais desempenham um papel importante nesse período, pois é através deles que os adolescentes podem se fazer perceber desejantes e elaborar escolhas, porque antes puderam escolher esses pais. Isso se relaciona com os sentimentos de amor e cuidado com que foram criados durante sua vida. Sabe-se que as relações entre pais e filhos/adolescentes podem se tornar difíceis, até porque, nessa fase, a família deixa de ser a única referência e a turma de amigos passa a ter um novo valor.
Para os adultos, a convivência com adolescentes também pode ser desafiadora, pois muitas vezes eles se mostram rebeldes, distantes ou intransigentes.

– Quando procurar ajuda?
Mesmo que a adolescência seja um período de angústias, existem casos que precisam de ajuda. Se sentimentos de tristeza, vazio, dificuldade de se relacionar com seus pares, agressividade exacerbada e sentimentos de inadequação forem exacerbadas e causarem impacto na vida do adolescente e família, é possível buscar uma psicoterapia. Ela ajudará o adolescente a significar e elaborar tais questões, assim como ampliar o autoconhecimento.

E você como está lidando com a adolescência de seu filho?



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Fonte:
 https://blog.psicologiaviva.com.br/adolescencia-como-lidar/